A musculação tem se consolidado como uma escolha estratégica para muitas mulheres que buscam mais do que resultados estéticos. O treino de força vem sendo procurado como ferramenta de saúde preventiva, capaz de oferecer equilíbrio, autonomia e bem-estar em fases da vida marcadas por mudanças hormonais e metabólicas.
Essa percepção de que a prática garante qualidade de vida futura tem impulsionado cada vez mais mulheres a incluir a musculação em sua rotina. Na Rede Wellness Club, nos últimos três meses, o público feminino com faixa etária dos 30 aos 49 anos procurou mais a academia do que os homens, e hoje elas representam o maior público ativo.
Segundo Aryson Antônio, líder técnico da Wellness Jardim Camburi, esse movimento é extremamente positivo. “É justamente nessa faixa etária que muitas mulheres começam a sentir as primeiras mudanças hormonais e oscilações metabólicas que antecedem a menopausa. Quando elas chegam ao treino de musculação antes desse declínio natural, constroem um escudo preventivo para o futuro”, explica.
A busca feminina pela musculação não está apenas ligada à estética, mas principalmente à saúde e à autonomia. “Percebemos que as alunas que treinam com regularidade apresentam melhor equilíbrio, maior consciência corporal e menos dores articulares. Isso reduz riscos de quedas no dia a dia e melhora a capacidade de reação em situações inesperadas”, destaca Aryson.
Outro fator que contribui para essa adesão é o ambiente pensado para elas. A Wellness conta com o “gluteo zone”, espaço para que as mulheres treinem com conforto e segurança, além de atendimento focado em acolhimento, segurança e autonomia. “Criamos uma experiência que incentiva a permanência: desde orientação técnica próxima até áreas amplas e bem organizadas, além de aulas coletivas que têm altíssima adesão feminina”, conclui Aryson.
Ortopedista explica por que a perda muscular pós-menopausa exige atenção e como o treino de força é decisivo para reduzir fraturas
As quedas estão entre os acidentes mais comuns na vida adulta e na terceira idade, mas existe um detalhe curioso: elas não acontecem da mesma forma para todo mundo. Estatisticamente, as mulheres caem mais, fraturam mais e têm recuperação mais lenta.
O ortopedista Guilherme Marins, do Hospital Vitória Apart, explica que a vulnerabilidade feminina tem raízes biológicas bem definidas. “Depois da menopausa, a queda brusca do estrogênio acelera a perda óssea e muscular. Além disso, as mulheres têm maior prevalência de osteoporose, estrutura óssea menor e tendem a ter menos massa muscular ao longo da vida. Homens caem menos, fraturam menos e fazem fraturas osteoporóticas em idade mais avançada”, esclarece.
Mas há um segundo fator, tão importante quanto o biológico: comportamento. As mulheres, em geral, se exercitam menos que os homens — especialmente em atividades de força, como musculação. Isso potencializa todos os riscos, porque fortalecer o corpo cria uma espécie de proteção natural.
“Os músculos funcionam como airbags biológicos. Eles absorvem parte do impacto, protegem as articulações e reduzem consideravelmente as chances de fraturas. Pessoas com boa massa muscular se recuperam mais rápido, perdem menos função e toleram melhor períodos de imobilização. Já pacientes sarcopênicos — aqueles com pouca musculatura — costumam evoluir pior após acidentes e cirurgias”, afirma Marins.
E qual seria a frequência ideal de exercícios? O ortopedista do Hospital Vitória Apart é claro: constância é o fator mais importante. “Musculação de duas a quatro vezes por semana já traz benefícios importantes, combinada a atividade aeróbica regular e treinos de equilíbrio, especialmente para quem tem mais de 60 anos”, orienta.
A prevenção, porém, não está somente nos pesos. Um pacote de hábitos fortalece o corpo como um todo: noites bem dormidas, boa ingestão de proteínas e micronutrientes, níveis adequados de vitamina D, controle de doenças crônicas e moderação no álcool — sem esquecer do abandono ao tabagismo.
O recado é claro: a queda não é só um tropeço — é um sinal de que o corpo precisa de força. E, para as mulheres, especialmente na longevidade, a musculação não é apenas exercício: é proteção, autonomia e qualidade de vida.